1552620926-parasito_doenca_de_chagas.pdf

MJS, 45 anos, sexo feminino, comerciante, procedente da comunidade ribeirinha de Breves (PA), foi atendida na emergência do Hospital Municipal de Breves em 06/05/2019 com quadro de febre e calafrios, sudorese noturna, cefaleia e mialgia. Três semanas antes da internação, notou urina de cor escura, com dispneia, que foi progressiva e evoluiu rapidamente aos mínimos esforços, acompanhada de dor abdominal, náuseas e vômitos, icterícia e edema de face. Na admissão, encontrava-se muito dispneica, com extremidades frias, desidratação leve e palidez cutâneo-mucosa. Durante a anamnese a paciente informou que é tabagista, mora em casa de madeira e faz ingesta de açaí diariamente. Foram realizados exames sorológicos, ELISA, hemaglutinação indireta, para avaliar a presença de anticorpos contra um parasito suspeito (IgG e IgM), ambos reativos. A paciente também realizou eletrocardiograma, que demonstrou bloqueio de ramo direito; radiografia de tórax e contrastada de esôfago sem alterações; radiografia contrastada de cólons com dilatação do sigmóide, megacólon, grau I. O ecocardiograma evidenciou aumento das câmaras esquerdas, aneurisma vorticiliar de ventrículo esquerdo (VE) e direito, disfunção sistólica moderada do VE. Foi iniciado tratamento sintomático com betabloqueador, espironolactona, diurético, enalapril, associado ao antiparasitário (150 mg) pela manhã e 100 mg a noite, por 60 dias. A paciente apresentou melhora clínica e atualmente está assintomática, segue em acompanhamento ambulatorial.