Introdução
- A avaliação da paciente ginecológica requer conhecimento e disposição para ouvir.
- O primeiro contato é muito importante → base do relacionamento médico-paciente.
- Deixar a paciente falar livremente por alguns minutos.
- “Nós só temos uma chance de causar uma primeira impressão, e é esta primeira impressão a que fica”
- Tripé da relação médico-paciente
- Conhecimento médico → tudo que o médico estudou, praticou e se atualizou. Necessário para passar segurança e confiança para a paciente, pelo conhecimento técnico que se propõe a fazer.
- Responsabilidade, profissionalismo e compromisso → para se ganhar a fidelidade desta paciente deve-se tratá-la de forma responsável: cumprir os compromissos, não desmarcando ou atrasando consultas sem um motivo justo, sendo pontual, esmerando sempre fazer o melhor, etc.
- Empatia → colocar-se no lugar do paciente, ter respeito e solidariedade, plano terapêutico conjunto. Esta paciente jamais voltará ainda que o profissional tenha todos os títulos acadêmicos se este se considera superior e inacessível
- Observações da comunicação não verbal da paciente: médico determina o estilo apropriado para conduzir cada entrevista
- Paciente feliz, relaxada, com um sorriso, calorosa com o médico.
- Paciente apática, com face de cera, com respostas curtas e frias. Faz pequenos movimentos com os músculos.
- Paciente tensa, com boca seca e transpirando com reação desproporcional ao estímulo.
- Paciente com raiva, irradia agressão, respondendo em frases curtas e às vezes irônicas.
- Paciente triste, geralmente depressiva e com palavras que revelam remorso e falta de esperança.
- Transferência e contratransferência: é importante investigar por que a paciente se encontra frustrada; se disponibilizar e dizer que está disponível a caminhar com ela e tentar entender os seus problemas – tentar colocar no lugar da paciente
- Se ficou estabelecida uma relação empática e satisfatória com certeza tenderá a uma evolução favorável no processo saúde-doença
- É importante ter compaixão!
Anamnese
- Identificação → nome, idade, nacionalidade, estado civil, profissão, endereço/telefone.
- Judias asquenazes tem mais chance de ter câncer de mama, com mutação genética
- Mulheres africanas tem mais frequência a miomatose
- Asiáticas tem mais frequência de mola hidatiforme
- Queixa principal e duração dos sintomas
- Iniciar a consulta perguntando: “em que posso ajudá-la?”
- Deixar a paciente falar livremente e só interromper para o esclarecimento de algum ponto pendente.
- O médico deve olhar a paciente nos olhos, mostrar-se receptivo e interessado, prestando atenção a todas as informações.
- As queixas mais comuns em ambulatórios de ginecologia são corrimentos e distúrbios menstruais.
- História da Doença Atual (HDA ou HMA)
- Descrever a evolução dos sintomas que podem ser de caráter constante ou intermitente, fatores associados
- Perguntar sobre tratamentos anteriores.
- Corrimento
- Quando começou?
- Fatores associados (uso de antibióticos ou corticoides)?
- Infecções associadas
- Antibióticos → candidíase, monilíase.
- Corticoides → vaginose bacteriana (corrimento acinzentado, fétido, gruda na parede da vagina, etc).
- Saber tirar as dúvidas das pacientes e anseios à explicar que o uso crônico pode gerar diversos efeitos colaterais e que devem ser tratados de acordo com a necessidade e com o desconforto gerado
- Coloração?
- Odor?
- Prurido?
- Irritação vulvar?
- OBS.: Em adolescentes, é comum a presença de um corrimento mucoide abundante e fisiológico.
- OBS.: SOBRE VAGINOSE BACTERIANA - VB é resultado de um desequilíbrio na microbiota vaginal cujo fator desencadeante é desconhecido, com redução de Lactobacillus e aumento de anaeróbios estritos e anaeróbios facultativos, dentre os quais predomina a Garderella vaginallis
- É a principal causa de corrimento vaginal
- Acomete mais comumente mulheres com vida sexual ativa, mas não é uma IST, embora a VB possa ser desencadeada pela relação sexual em pessoas predispostas (contato com sêmen de pH elevado contribui para o desequilíbrio da microbiota vaginal)
- Via sexual não é a principal forma de transmissão, mas pode ocorrer
- Quadro Clínico
- Odor fétido, “peixe podre”: agravado durante menstruação e coito (quando pH fica mais alcalino e facilita volatização das aminas)
- Corrimento fluido, branco acinzentado, não aderente
- Sintomas inflamatórios (irritação vulvar, dispareunia e disúria) são raros
- Parede vaginal normal, não eritematosa
- Critérios de Amsel
- Corrimento branco acinzentado, homogêneo, fino
- Ph vaginal > 4,5
- Teste das aminas (whiff test) positivo: adição KOH 10% na secreção, com aparecimento imediato de odor desagradável
- Visualização de clue cells ou células-guia (epitélio coberto de bactérias)
- Dor pélvica crônica → chama atenção para endometriose e doença inflamatória pélvica, e podem levar a esterilidade.
- As vezes está associada a condições que levam a infertilidade
- Dismenorreia → se for cada vez mais intensa sugere endometriose.
- Perguntar sobre os cinco grandes sinais ou sintomas
- Alteração das mamas (em especial mastalgia);
- Dor;
- Sangramento;
- Corrimento;
- Tumor.
- Perguntar sobre disfunções sexuais e infertilidade
Antecedentes ginecológicos (História Pregressa do Paciente – HPP)