Sepse Neonatal
- Epidemiologia e Fatores de Risco
- Epidemiologia:
- A sepse neonatal é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em neonatos.
- A incidência varia, mas geralmente está entre 1 a 10 casos por 1.000 nascidos vivos, sendo maior em países em desenvolvimento.
- Fatores de Risco:
- Prematuridade: RNPTs têm sistemas imunológicos imaturos.Peso ao Nascer: Menor peso é associado a maior risco.
- Ruptura Prolongada de Membranas: (>18 horas) aumenta o risco de infecção ascendente.
- Corioamnionite Materna: Inflamação das membranas fetais por infecções bacterianas.
- Procedimentos Invasivos: Como intubação e cateterização, aumentam o risco de infecção nosocomial.
- Colonização Materna por Estreptococo do Grupo B (EGB): Pode ser transmitido ao neonato durante o parto.
- História de Sepse Neonatal Prévia: Em gestações anteriores.
- Quadro Clínico:
- Sinais e Sintomas
- Sinais Gerais: Letargia, hipotonia, irritabilidade, gemência.
- Respiratórios: Apneia, dispneia, taquipneia, retrações intercostais, cianose.
- Gastrointestinais: Alimentação deficiente, vômitos, distensão abdominal, hepatomegalia.
- Cardiovasculares: Taquicardia, bradicardia, má perfusão periférica.
- Neurológicos: Convulsões, hipoatividade, alteração do tônus muscular.
- Desafios
- Diagnóstico Precoce: Sintomas não específicos e sobreposição com outras condições neonatais.
- Diversos Agentes Etiológicos: Requer abordagens terapêuticas específicas.
- Resistência Antimicrobiana: Crescente problema que complica o tratamento.
- Gestão de Recursos: Necessidade de infraestrutura adequada para diagnóstico e tratamento em tempo hábil.
- Diagnóstico
- Diagnósticos Diferenciais:
Hipoglicemia, distúrbios metabólicos, distúrbios respiratórios, enterocolite necrosante, cardiopatias congênitas.
- Exames Laboratoriais e Suas Funções:
- Hemograma Completo: <Valores Normais no Neonato: Leucócitos (9.000-30.000/mm³), PNMs elevados >25.000 indica infecção bacteriana. Baixa contagem de PNMs (<5.000/mm³) pode sugerir sepse grave.
- Função: Avaliar o número e tipo de células sanguíneas.
- PCR (Proteína C-Reativa): Nível normal <0,5 mg/dL. Elevada em resposta inflamatória/infecciosa.
- Função: Marcador de inflamação, útil para seguimento do tratamento.
- Procalcitonina: <Valores Normais no Neonato: <0,5 ng/mL. Níveis elevados são sugestivos de infecção bacteriana.
- Função: Ajuda na diferenciação entre infecção bacteriana e viral.
- Culturas: Hemoculturas, culturas de urina e líquor.Função: Identificar o agente etiológico e teste de sensibilidade aos antimicrobianos.
- Gasometria Arterial: Avaliar desequilíbrios ácido-base.Função: Monitorizar a função respiratória e metabólica.
- Exames de Imagem: Radiografia de tórax, ultrassonografia craniana e abdominal.
- Função: Avaliar causas secundárias e complicações da sepse.
- Tratamento
- Antibioticoterapia: Iniciar imediatamente após coleta de culturas.
- Regime Empírico Inicial: Ampicilina + Gentamicina ou Cefotaxima.
- Ajustes Baseados na Cultura: A terapia deve ser dirigida com base nos resultados de culturas e sensibilidade.
- Suporte Ventilatório: Para neonatos com dificuldades respiratórias.
- Suporte Hemodinâmico: Administração de fluidos intravenosos e inotrópicos se necessário.
- Monitorização Contínua: Frequência cardíaca, pressão arterial, níveis de glicose e eletrocardiograma.
- Parâmetros a Serem Utilizados
- Acompanhamento Clínico: Monitoramento constante dos sinais vitais e sinais de resposta ao tratamento.
- Reavaliação Laboratorial: Exames seriados para avaliar a resposta ao tratamento e ajustar a terapia conforme necessário.
Infecção Aguda: para distinguir do conceito de infecção crônica, podemos pensar em infecção aguda como um processo infeccioso com duração limitada - até 3 a 6 meses