- Magali, 23 anos, foi ao cinema e, enquanto esperava o filme começar, um jovem fantasiado de Halloween subitamente apareceu na frente da tela. Com um fuzil, ele atirou diretamente nas pessoas.
Ela viu diversos indivíduos sendo atingidos, incluindo a mulher a seu lado. As pessoas começaram a gritar e houve uma debandada tumultuada em direção à saída. Aterrorizada, ela conseguiu passar pela saída e escapou, sem ferimentos, até o estacionamento, onde viaturas da polícia começavam a chegar.
- Adalberto, 25 anos, foi à mesma sessão de cinema no mesmo horário. Como ela, ele também temeu por sua vida durante todo o ocorrido. Escondido atrás de uma fila de assentos, conseguiu engatinhar até o corredor, de onde correu para a saída. Embora estivesse coberto de sangue, escapou sem ferimentos físicos.
- Magali e Adalberto, 2 dias depois: Tanto ela quanto ele, dois dias depois, se sentiam "uma pilha de nervos. Apesar de gratos por estarem vivos e incólumes, estavam extremamente ansiosos e agitados.
Sobressaltavam-se com qualquer barulho. Assistiam à televisão constantemente para obter as últimas informações sobre o tiroteio, mas cada vez que exibiam cenas filmadas no local do evento, apresentavam sintomas ansiosos intensos, começavam a suar, não conseguiam se acalmar e não paravam de pensar sobre o evento. Eles não conseguiam dormir à noite por causa de pesadelos, e, durante o dia, se viam tomados por memórias intrusivas e indesejadas de tiros, gritos e de seu próprio terror pessoal durante o evento
- Magali, 2 semanas depois: Ela havia retomado a maioria de seus sentimentos, pensamentos e comportamentos anteriores ao evento no prazo de duas semanas. Embora lembranças do tiroteio, eventualmente a levassem a uma reação de inquietação, elas não dominavam sua mente enquanto estava acordada. Não tinha mais pesadelos. Sabia que jamais esqueceria o que acontecera no cinema, mas, no geral, sua vida estava voltando ao normal e retomava o curso que estava seguindo antes da ocorrência do tiroteio.
- Adalberto, 2 semanas depois: Ele não havia se recuperado. Sentia-se emocionalmente tenso e não conseguia ter sentimentos agradáveis ou positivos. Sobressaltava-se com o mais leve ruído, não conseguia se concentrar no trabalho, e seu sono era intermitente e marcado por pesadelos traumáticos.
Ele tentava evitar lembranças do tiroteio, mas não parava de evocar o som dos tiros, dos gritos e da sensação grudenta do sangue que tocou no chão ao fugir do cinema.
Quanto ao caso, responda:
- Quanto à evolução no curso do tempo, o que fez a diferença entre as respostas de Magali e
Adalberto?
Adalberto desenvolveu PTSD após trauma enquanto magali não desenvolveu PTSD ao trauma. Está relacionada com a maneira como cada um processou o evento traumático e como lidaram com as memórias intrusivas e indesejadas.
- Caso, logo após o evento traumático, Magali e Adalberto fossem encaminhados ao pronto-socorro, qual seria sua conduta?
Avaliar se eles apresentam sintomas físicos, como ferimentos por arma de fogo ou quedas durante a fuga, e providenciar o tratamento necessário. E os possíveis riscos de TEA e até mesmo TEPT com intervenções tais quais encaminhamento para TCC, prevenindo o adoecimento.
- Em avaliação após 2 semanas, quais diagnósticos seriam os mais prováveis para Magali e Adalberto?
Para ambos para TEA.
- Após 2 anos, Adalberto apresenta quadro compatível com TEPT. Crie uma vinheta clínica (uma história clínica resumida, como os casinhos que vimos ao longo de todas as aulas) que conte a história de adoecimento de Adalberto, de maneira sintética e verossímil.
Adalberto, 25 anos, foi ao cinema com amigos e foi alvo de um tiroteio. Durante o evento, ele se escondeu atrás de uma fila de assentos e conseguiu escapar sem ferimentos físicos, mas desde então tem sofrido com sintomas intensos de ansiedade e estresse. Ele tem evitado pensar ou falar sobre o evento e tem pesadelos recorrentes. Após dois anos, ele ainda apresenta sintomas de TEPT e tem dificuldade em trabalhar e ter emoções positivas. Ele foi encaminhado para tratamento psicoterapêutico especializado para TEPT e recebeu medicação para controlar a ansiedade e os sintomas de insônia.
Treatment of acute stress disorder in adults - UpToDate.pdf
Acute stress disorder in adults_ Epidemiology, pathogenesis, clinical manifestations, course, and diagnosis - UpToDate.pdf
Posttraumatic stress disorder in adults_ Epidemiology, pathophysiology, clinical manifestations, course, assessment, and diagnosis - UpToDate.pdf
Management of posttraumatic stress disorder in adults - UpToDate.pdf
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