Gestante com 30 anos de idade, G1P0A0, IG de 24 semanas foi admitida com quadro de eclâmpsia sendo submetida à uma cesárea de emergência. Não houve tempo para a administração de corticosteroide antes do parto. Nasceu RN com peso de 500g (extremo baixo peso), Apgar de 2, 5 e 8 (1, 5 e 10 minutos). Ao nascimento necessitou de intubação endotraqueal, ventilação com pressão positiva e fração inspirada de oxigênio (FiO2) 100%. Nas primeiras 2 horas de vida, recebeu surfactante pela necessidade de oxigênio (50-60%) para manter a oximetria de pulso adequada. Foi observado que a radiografia de tórax realizada na primeira hora de vida apresentava infiltrado reticulogranular e broncograma aéreo.
O RN evoluiu com necessidade de ventilação mecânica (VM) invasiva nos primeiros 10 dias de vida sendo necessário inicialmente o uso de altas FiO2 (> 60%) e altas pressões inspiratórias e, após a retirada da VM, manteve necessidade de pressão positiva contínua de vias aéreas (CPAP) com suplementação de oxigênio por 6 semanas. Aos 3 meses de idade, o paciente ainda recebia oxigênio por cateter nasal e todas as vezes que se tentava suspender o oxigênio apresentava queda da saturação. Foi feito o diagnóstico de displasia broncopulmonar.
Radiografia de tórax:
Pergunta-se:
Avaliação Inicial do Neonato: RN pré-termo extremo, com IG de 24 semanas (< 28 sem), de sexo não identificado no caso clínico, com extremo baixo peso (500g) e más condições (apgar 2/5/8). Evolui com quadro de desconforto respiratório que necessitou de intubação orotraqueal, com ventilação com pressão positiva e uso de FiO2 a 100%, além da utilização de surfactantes. Nesse primeiro momento é essencial propor um monitoramento adequado da temperatura corporal (risco aumentado de acidose respiratória e metabólica), da glicemia (prematuro extremo e baixo peso - baixas reservas) e da saturação (pelo quadro de desconforto respiratório). O nascimento prematuro com cesárea de emergência foi relacionado a uma importante intercorrência materna, a eclâmpsia, sem a possibilidade de uso de corticoides para a maturação pulmonar (que normalmente ocorre por volta da 34ª semana). Não se tem os dados do pré-natal dessa gestante. Evoluiu ainda com importante quadro de desconforto respiratório, necessitando de suporte ventilatório mecânico e CPAP por 6 semanas. Evoluiu com displasia broncopulmonar.
Principal hipótese diagnóstica: Síndrome do Desconforto Respiratório. É a afecção respiratória mais frequente do RN pré-termo, principalmente naqueles abaixo de 28 semanas de IG (como é o caso do RN do caso clínico), do sexo masculino, em filhos de mãe diabética e nos que sofreram asfixia ao nascimento. A prematuridade, principal fator implicado no caso (< 34 semanas), é associada a fisiopatologia da SDR, marcada pela deficiência quantitativa e qualitativa de surfactante alveolar, além da imaturidade estrutural pulmonar (papel do cortisol na maturação da arquitetura pulmonar). Além disso, o quadro de desconforto respiratório agudo logo após o nascimento é compatível com o de SDR, que se intensifica nas primeiras 24 horas de vida e atinge o pico por volta de 48 horas. A evolução clássica da SDR pode ser modificada por meio da administração antenatal de corticoide, assistência ventilatória precoce e uso de surfactante exógeno. A aspecto típico encontrado à radiografia de tórax também corrobora a hipótese de SDR: percebe-se a presença de infiltrado reticulogranular difuso (vidro moído), distribuído uniformemente nos campos pulmonares, além da presença de broncogramas aéreos, aumento de líquido pulmonar e perda dos contornos da silhueta cardíaca.
Os principais critérios diagnósticos para SDR são: