Caso clínico 4.pdf

FAM, sexo feminino, 47 anos, mãe de dois filhos (2 e 15 anos), natural de Brasília, e se encontra em situação de vulnerabilidade socioeconômica, morando em barraco de lona às margens do Lago Paranoá. Buscou atendimento no HUB em 20/08/2022, devido coceira intensa, feridas na pele, febre alta e dor de cabeça intensa. Paciente HIV+, com baixa aderência à terapia antirretroviral (TARV). A anamnese revelou lesões crostosas e pruriginosas disseminadas pelo corpo e couro cabeludo, mãos e pés. A paciente descreveu que a coceira é intensa à noite e também um incômodo causado por “verrugas” na axila e virilha. O exame revelou nessas regiões um animal com 8 pernas de aproximadamente 3 mm visivelmente cheio de sangue. A paciente foi colocada em isolamento de contato e realizou-se dermatoscopia e outros exames para investigar a causa do prurido. Os exames revelaram numerosos parasitos e ovos. Foi tratada com ivermectina oral na dose de 200 mg/kg e repetiu-se em 7 a 14 dias. Os seus filhos também foram tratados, o maior seguindo o mesmo esquema terapêutico, porém o de 2 anos foi tratado com permetrina 5% tópica. Realizou-se também a retirada do animal da axila e da virilha e ainda um exame de sangue para detecção de um agente infeccioso considerando os sintomas febris. O resultado foi positivo para uma bactéria e diante disso foi realizado tratamento com antibiótico específico por um período de 7 dias. Os filhos também foram examinados, porém o resultado foi negativo. Após o tratamento, FAM e seus filhos evoluíram bem, com reversão dos sintomas dermatológicos.

Questões para discussão