Anestesia geral
- Definição → resultado de alterações reversíveis na função neurológica causadas por fármacos que modulam a comunicação sináptica.
- Alterações para depressão do SNC (órgão-alvo da anestesia geral)
- Anestésicos
- Deprimem neurotransmissores excitatórios;
- Ativam neurotransmissores inibitórios.
- Componentes
- Inconsciência → amnésia, sedação e hipnose.
- Analgesia
- Bloqueio de reflexos autonômicos (é o último que desaparece, requerendo muito anestésico inalatório): evita que o paciente apresente resposta simpática
- Evita taquicardia e hipertensão
- Imobilidade → bloqueio motor.
- Importante para que o paciente não se movimente em resposta a incisão cirúrgica
- Pode ser inalatória ou venosa
- Os agentes inalatórios conseguem prover os quatro componentes inalatórios, diferentemente da anestesia geral venosa.
- Os agentes venosos necessitam de um medicamento para cada componente
Anestésicos inalatórios
- Inalatórios: conseguem prover todos os 4 componentes da anestesia geral, sendo responsáveis pela indução e manutenção da anestesia durante todo o período
- Quando a cirurgia é finalizada, interrompe-se a administração e o paciente volta a função de homeostase
- Histórico
- Indução e manutenção da anestesia com apenas 1 fármaco inalatório
- Uso a partir de 1844 com óxido nitroso (gás hilariante nas feiras dos EUA)
- Não funcionou na demonstração pública do Horace Wells: paciente sentiu dor na anestesia
- 1846 – Éter
- William Thomas Green Morton
- 16/10/1846: dia mundial da anestesia - primeira anestesia bem sucedida
- 1847 – Clorofórmio
- 1956 – halotano (ainda usado)
- 1960 – metoxiflurano
- 1966 – enflurano
- 1971 – isoflurano (ainda usado)
- 1980 – sevoflurano e desflurano (ainda usados)

- Agentes halogenados: muitos componentes dos halogênios, mas também muito flúor e carbono
- Anestésicos venosos: 1 tipo para cada componente da anestesia geral
- Características dos Anestésicos Inalatórioa
- Extremamente efetivos;
- Relativamente seguros;
- Diferenças de outros agentes farmacológicos:
- Via de administração, inalatória;
- Tempo de latência e de recuperação são rápidos;
- Efeitos sistêmicos característicos.
Farmacocinética dos anestésicos inalatórios
- Absorção
- Objetivo: atingir pressão parcial ideal no SNC (órgão alvo da anestesia). Ou seja, oferecer uma dose ideal capaz de promover o efeito fisiológico do anestésico
- Dose quantificada por meio de pressão parcial por ser um gás
- Diferentes gradientes de pressão parcial impulsionam agentes inalatórios através de membranas.
- Gradiente de pressão parcial: deltaP impulsiona o anestésico inalatório
- Medicamento extremamente lipossolúvel: atravessam membranas com facilidade
- Administrado (pelo vaporizador do anestésico) – inspirado – alveolar – arterial – tecidual
- Nem tudo administrado será inspirado, pois parte fica no aparelho/circuito de ventilação. Nem tudo inspirado vai para os alvéolos: espaço morto. Nem tudo que está nos alvéolos é captado pelas artérias e nem tudo chega ao SNC. Entretanto, com a administração contínua do medicamento, tende-se ao equilíbrio das fases!
- Quando as pressões parciais atingem equilíbrio (após algum tempo de administração):
- Pressão alveolar = pressão parcial no órgão-alvo (SNC).
- Se quantificar a pressão alveolar, identifica a dose que está chegando no SNC
- Portanto a pressão alveolar é uma avaliação indireta da profundidade da anestesia.
- Determinantes da absorção → oferta x captação.

-
Oferta
- Objetivo é que a anestesia chegue de forma mais rápida e isso depende de 3 fatores
- Fatores que influenciam:
- Pressão parcial inspirada: maior oferta de anestésico - maior concentração gasosa;
- Quanto maior for a porcentagem, mais rápido atinge a anestesia
- Ventilação alveolar: quanto mais respira, mais vai ser dispensado no alvéolo;
- Quanto maior o volume minuto, maior a oferta de anestésico (se criança estiver chorando, mais rápido ela vai dormir)
- Características do sistema ventilatório.
- Parte do gás fica distribuído ao longo do sistema de ventilação - a depender do sistema de ventilação pode haver diluição
- Se o sistema for saturado anteriormente, pode-se começar a anestesia com saturação adequada
- Vaporizador de anestesia, bloco dos fluxômetros (oxigênio vaporiza o anestésico inalatório que leva ao paciente por meio do sistema de traqueias)
- Ex.: 4L/min + Cevoflurano a 2% - até ele saturar todo o sistema a 2%, ainda vou administrar uma fração que não é aquela que o paciente deveria inspirar (sofre diluição pelo sistema)
- Sistema volumoso: pode variar de 4-12 L a depender do tamanho das traqueias e circuito do aparelho
- Sistema infantil: 220 mL --> dilui em menor proporção: rapidamente fica saturado conforme a porcentagem estabelecida!
