Um paciente de 18 anos de idade, com histórico de alterações de comportamento havia cerca de um mês, compareceu a uma primeira consulta na UBS acompanhado pela mãe. O paciente dizia que estava sendo espionado pela Polícia Federal porque o confundiam com um traficante, desde antes do Natal de 2022. A mãe relatava que, nos últimos 40, dias ele fechava todas as janelas de casa, ficava o dia todo trancado no quarto e que, em geral, ficava horas assim: falando sozinho sobre ameaças, medo de ser assassinado.

A mãe ainda relata que o filho sempre foi mais "solitário"

, porém no início de 2022 ele

passou a se isolar ainda mais. Nos últimos seis meses, interrompeu o contato com quaisquer pessoas externas ao seu núcleo familiar. Parou de sair de casa e de usar computador e celular, havia cerca de 7 meses, tendo inclusive deixado de assistir às aulas do último ano do ensino médio, não o tendo concluído. Inicialmente, não dizia ou dava explicações à família de como se sentia ou se tinha alguma dificuldade, porém há cerca de 2 meses os comportamentos mudaram de forma muito importante. Não há relato de episódios de hetero ou autoagressividade, tampouco de ideação, planejamento ou tentativa de suicídio.

Não há histórico de comorbidades ou uso diário de medicações. Negam uso de álcool ou drogas. Avó paterna com transtorno mental grave, sem diagnóstico conhecido (*ficou muitos anos internada em um manicômio, ela morreu lá").

Os exames físico e laboratoriais não mostraram alterações, incluindo exame toxicológico. O exame psíquico mostrava um paciente apreensivo, pouco colaborativo, consciente, hipervigilante. Pensamento com velocidade adequada, linear, com afrouxamento de algumas associações, delírios de persecutoriedade. Apresentava mussitações, em alguns momentos durante a consulta, tendo sido observados solilóquios em momento onde foi-lhe solicitado que aguardasse na sala de espera. Humor não polarizado, com afeto ansioso.

Hipobúlico, com hipopragmatismo. Sem alterações motoras. Sem crítica de doença.

  1. Qual a hipótese diagnóstica mais provável? Justifique, a partir dos critérios diagnósticos do DSM-5. (5 minutos)
  2. Quais os principais diagnósticos diferenciais? Explique porque tais diagnósticos são menos prováveis que a HD do item 1. Considere 2 transtornos mentais e 2 condições médicas gerais. (5 minutos)
  3. Sugira um plano de tratamento que inclua abordagens farmacológicas e não
  4. farmacológicas para o paciente. (10 minutos)
  5. Em sua conduta, o grupo indicaria a internação psiquiátrica deste paciente neste momento da consulta? Quais as informações que devem ser consideradas para indicar ou não a internação? (10 minutos)

Desculpe, minha última mensagem foi uma falha. Vamos às respostas:

  1. A hipótese diagnóstica mais provável é Esquizofrenia Paranoide, de acordo com os critérios diagnósticos do DSM-5. O paciente apresenta delírios de persecutoriedade, hipervigilância e mussitações, além de apreensão e afetividade ansiosa.
  2. Os principais diagnósticos diferenciais são Transtorno Delirante e Transtorno Bipolar com Características Psicóticas, assim como condições médicas como Tumor Cerebral e Epilepsia do Lobo Temporal. Esses diagnósticos são menos prováveis porque o paciente não apresenta sintomas de mania ou depressão, e os delírios são mais complexos e abrangentes, não se limitando a uma ideia fixa. Além disso, os exames físicos e laboratoriais não apresentaram alterações que sugerissem as condições médicas.
  3. Um plano de tratamento para o paciente pode incluir abordagens farmacológicas, como antipsicóticos para controle dos sintomas psicóticos e ansiolíticos para controle da ansiedade, e abordagens não-farmacológicas, como psicoterapia individual e familiar, para auxiliar na adesão ao tratamento e na reintegração social.
  4. A internação psiquiátrica pode ser indicada neste momento da consulta, levando em consideração o risco de comportamentos hetero ou autoagressivos, o comprometimento do funcionamento social e a falta de suporte familiar. Além disso, é importante avaliar a disponibilidade de vagas em hospitais psiquiátricos e a capacidade do paciente de compreender e concordar com a necessidade de internação.

Espero ter esclarecido suas dúvidas. Se precisar de mais alguma informação, é só me perguntar.