Um jovem de 19 anos é trazido ao Pronto Socorro pela polícia após ter causado um acidente de trânsito por sentar-se no meio da rua, no Eixão Norte. Segundo os policiais, o rapaz. teria sido encontrado falando sozinho, com roupas sujas e rasgadas e cabelos desgrenhados.

Ao ser questionado, o paciente disse que desde o meados de 2022 ele vem percebendo que "as pessoas não são quem dizem ser" e repetia diversas vezes "é tudo um complô para me prejudicar". Relatou ainda que

"estava sentado (na rual porque as vozes mandaram". Ele traz relato de que, neste último ano, passou a ficar sozinho em casa e abandonou a universidade. Ele afirma escutar vozes que mandam que ele faça "coisas ruins. Normalmente, há duas ou três vozes falando, e costumeiramente elas comentam sobre os comportamentos do jovem. Ele nega usar substâncias psicoativas, nunca tendo sequer experimentado álcool, cannabis ou outras drogas. Ele nega problemas médicos ou uso diário de medicações. Fala que mora sozinho na Asa Norte há 18 meses, tendo vindo para estudar, e que os pais e o irmão gêmeo (que tem "problemas de cabeca") moram em Pernambuco.

Na avaliação médica, o paciente apresenta-se com higiene prejudicada e vestes sujas, mostrando prejuízo do auto-cuidado. Ele está aparentemente desconfortável com o ambiente ao seu redor e fica caminhando dentro do consultório, sempre com as costas para a parede, hipervigilante. Humor não polarizado (nem depressivo, tampouco eufórico), apresenta afeto embotado. Sua fala apresenta volume, ritmo e tonalidade adequados. Seu pensamento tem curso sem alterações, é tangencial na forma e notam-se ocasionalmente perda das associações. Apresenta delírios persecutórios evidentes, além de solilóquios. Não se evidenciam pensamentos suicidas ou homicidas.

Frente a este caso, questiona-se:

  1. Quando o paciente relata que "estava sentado (na rua] porque as vozes mandaram"

qual sintoma fica evidenciado? Qual sinal observado na avaliação médica está relacionado a este sintoma?

  1. Qual o provável diagnóstico para este paciente? Justifique considerando os critérios diagnósticos do DSM-5.
  2. Considerando a resposta para o item 1, quais os fatores de risco estão presentes na história para o desenvolvimento de tal transtorno mental? Cite 3 fatores de risco não citados que poderiam estar presentes.
  3. Há outras condições que devem ser descartadas antes de um diagnóstico seguro? Quais exames subsidiários são necessários e por quê?
  4. Qual a sua conduta ao final desta primeira avaliação no PS?

Respostas

  1. A alucinação auditiva é mais evidente, vez que o paciente está dizendo que está escutar vozes que o mandam fazer coisas tais decisões. Além de um sinal aparentemente desconfortável com o ambiente ao seu redor e hipervigilante.
  2. O provável diagnóstico para este paciente é Esquizofrenia, de acordo com os critérios diagnósticos do DSM-5. O paciente apresenta
    1. Maiores
      1. delírios persecutórios evidentes → fora da realidade;
      2. alucinações auditivas → escutar vozes.
    2. Menores
      1. Prejuízo do auto-cuidado → roupas sujas, rasgadas e etc.;
      2. Isolamento social.
  3. Os fatores de risco para esquizofrenia no caso em tela incluem história familiar de transtornos psiquiátricos, e estresse ambiental (e. g. morar sozinho). Outros fatores poderiam ser: história de abuso ou negligência na infância, traumas psicológicos na vida adulta e baixo nível socioeconômico.
  4. São exames ou procedimentos para análises de outras patologias para diagnósticos diferenciais de esquizofrenia, têm-se:
    1. Análise clínica para transtorno bipolar com sintomas psicóticos;
    2. Análise clínica para transtorno esquizofreniforme;
    3. Análise clínica para transtorno esquizoafetivo;
    4. Exames subsidiários: toxicológico, sangue para analisar hipotireoidismo, uréia, creatinina ou deficiência de vitamina B12, e exames de imagem para avaliar possíveis lesões cerebrais.
  5. Avaliação primária no Pronto Socorro, após encaminhar o paciente para uma avaliação psiquiátrica mais detalhada em um serviço de saúde mental. Considera-se importante que ele seja avaliado por um médico psiquiatra e equipe multidisciplinar para que seja feito um diagnóstico preciso, e análise de histórico familiar e para que seja iniciado o tratamento adequado para o seu caso.