APS, 73 anos, masculino - O paciente comparece à consulta médica acompanhado da filha que relata dificuldade para escutar há alguns anos.

A filha relata que o Sr A. apresenta dificuldade para escutar, que vem piorando progressivamente, há cerca de 5 anos. O paciente diz que não é bem assim, que escuta normalmente mas que as pessoas falam “de forma enrolada”, o que dificulta a compreensão. Quando questionado sobre o volume da televisão diz que escuta bem, a filha interfere e diz que coloca a televisão muito alto. Quando perguntado sobre diferença de acuidade auditiva entre os lados, diz escutar bem de ambos os ouvidos. Refere apresentar prurido ocasional em ambos os lados e usar “cotonete” com frequência. Também refere apresentar zumbido intermitente que percebe no silêncio, geralmente quando vai dormir, que não atrapalha o sono ou causa incômodo. Nega otalgia, otorréia, tontura e vertigem.

AP – nega problemas otológicos anteriores. Hipertenso controlado (losartana – HCT), sedentário, não faz check-up de forma regular. Colecistectomia há cerca de 30 anos

Exame Físico ORL – normal

Quanto à história clínica:

1)A história clínica acima está incompleta. Quais informações importantes estão faltando? Qual a relevância dessas informações? 2)O paciente diz não ter problema auditivo, como você interpreta essa informação?

Quanto aos Exames Complementares:

1)Quais exames complementares vc solicitaria para o paciente? Explique o motivo da solicitação do exame. Quais áreas do aparelho auditivo que cada exame avalia?

Quanto a conduta neste caso:

  1. Quais as opções de tratamento para este paciente e em qual situação você indicaria cada uma delas ?


História Clínica

1) A história clínica acima está incompleta. Quais informações importantes estão faltando? Qual a relevância dessas informações?

Considerando que a história clínica, do caso em tela, não está completa, e além das informações já mencionadas, seria necessário questionar o paciente sobre: o histórico de condições otológicas, tal qual, infecções no ouvido; o uso de medicamentos, além dos já mencionados, e além desses, medicamentos potencialmente ototóxicos, que são utilizados na UTI Neonatal, estão os Antibióticos Aminoglicosídeos, a mencionar a Gentamicina, Amicacina, Tobramicina e Estreptomicina, que são, geralmente, utilizados para tratamento de infecções bacterianas. Ainda, e não menos importante, a associação da Cefotaxima com Amicacina, irá apresentar grande risco, em relação a ototoxicidade, bem como, Diuréticos (exemplo, Furosemida, Ácido Etacrínico, Bumetanida e, Torasemida); histórico de exposição a ruídos por longo período, uma vez que apresenta risco a perda auditiva e a exposição intensa a sons e ruídos; aferir a pressão arterial, que será responsável e prevenir complicações; e por fim, acerca do nível de atividade física que o paciente se submete, uma vez que, durante essas atividades, pode-se levantar informações relevantes como tontura ou desequilíbrio, que podem estar associados a perde auditiva.

2) O paciente diz não ter problema auditivo, como você interpreta essa informação?

Importante analisar que, a negação do problema auditivo pelo paciente, pode até mesmo ser interpretada como uma tentativa de adaptação psicológica à frente da perda auditiva progressiva, denominado como Presbiacusia, deste modo pode-se refletir sobre a ideia de um déficit sensorial, que inúmeras vezes pode estar associada ao estigma social ou até mesmo as dificuldades em aceitar as limitações pela idade, de igual modo, o paciente mencionado que as pessoas falam de “de forma enrolada”, pode indicar que o paciente já consegue, de maneira não tão consciente, perceber as alterações na audição, porém, o mesmo, está associando a fatores externos, e não a própria perda na audição que é sua condição auditiva.