Paciente masculino, 13 anos, buscou atendimento em ambulatório de oftalmologia referindo olho pra fora e vermelho há 3 meses. Genitora referiu que o paciente iniciou há 3 meses eritema em região periorbitária esquerda seguido de proptose ipsilateral alguns dias depois. Nega febre no período e refere episódios esporádicos de rinorreia sanguinolenta. Não apresentava dados relevantes aos antecedentes médicos e familiares. Ao exame oftalmológico apresentava proptose discreta, distopia inferior, edema de pálpebra superior e sinais flogísticos em olho esquerdo. Acuidade visual normal bilateral. Foi realizada tomografia computadorizada (TC) de crânio Figura 2. Tomografia computadorizada dos seios paranasais (corte coronal com janela para parte óssea) com áreas com densidade de partes moles em seio esfeinodal esquerdo e parcialmente à direita. Figura 1. Tomografia computadorizada dos seios paranasais (corte coronal com janela para parte óssea) com áreas com densidade de partes moles preenchendo totalmente o seio maxilar esquerdo e células etmoidais à esquerda além de destruição do teto da órbita à esquerda. e seios paranasais na qual se constatou área com densidade de partes moles preenchendo totalmente o seio maxilar esquerdo, as células etmoidais esquerdas e parcialmente, os seios esfenoidais esquerdo e direito, destruição do teto da órbita esquerda, com sinais de infiltração de partes moles adjacentes ao globo ocular esquerdo (Figuras 1 e 2) e lesão hipodensa , extra-axial localizada na região frontal esquerda, medindo 4,6 X 4,1 cm nos seus maiores eixos, realce de contraste e efeito compressivo com apagamento de sulcos da convexidade e ventrículos sem alterações (Figuras 3 e 4). Foi realizado internação clínica em enfermaria do serviço de oftalmologia para realização de hemocultura seguida de antibioticoterapia por via parenteral (Oxacilina 8g/dia, Ceftriaxone 3g/dia e Metronidazol 1,5g/dia) e solicitada avaliação com neurocirurgia e otorrinolaringologia. Não houve crescimento bacteriano na amostra sanguínea enviada.

Em avaliação otorrinolaringológica, foi realizada a endoscopia nasossinusal que evidenciou presença de edema e drenagem de secreção mucopurulenta em meato médio à esquerda. Diante do diagnóstico de rinossinusite aguda complicada com celulite pré-septal e abscesso intracraniano, a equipe de otorrinolaringologia decidiu pela cirurgia endoscópica nasossinusal com drenagem do seio maxilar e etmoide anterior à esquerda que transcorreu sem intercorrências. Foi optado também pela equipe de neurocirurgia intervir cirurgicamente, sendo realizado drenagem do abscesso intracraniano. Mantido internado com antibioticoterapia venosa e introduzido corticoterapia no pré e pós-operatório, além de lavagem nasal com solução salina hipertônica. O paciente saiu de alta 15 dias após a cirurgia e permaneceu em uso de antibioticoterapia por via oral durante 6 semanas. Não houve crescimento bacteriano em cultura da secreção drenada. Quarenta e cinco dias após a cirurgia o paciente apresentava-se estável e sem queixas. Exame oftalmológico e neurológico sem alterações. À tomografia de controle com sinais de craniotomia frontal esquerda (decorrente da intervenção cirúrgica), sem outros achados (Figura 5).

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Com base neste caso clinico  real esteja pronto para discutir:

1)     Quais os sinais e sintomas que o permite dar o diagnostico rinossinusite neste caso

2)     Este conjunto de sinais e sintomas permite classificar o paciente como portador de um quadro agudo ou crônico ?

3)     Quais os sinais e sintomas que permitem qualificar este paciente como portador de uma complicação de rinossinusite? Quais dados demográficos neste paciente sugerem uma complicação ?

4)     Quais exames evidenciaram a complicação ?

5)     Qual a provável rota anatômica seguida pelo processo infeccioso desde a sua origem até a órbita e o SNC ?

6)     Quais estruturas annattomicas a seem abordadas pela equipe da otorrinolaringologia ?

7)     Cite e descreva as principais complicações orbitárias e intra-cranianas das rinossinusites aguda

Referências:

  1. Mitchell R, Kelly J, Wagner J. Bilateral orbital complications of pediatric rhinosinusitis. Archives Otolaryngology Head and Neck Surgery. 2002 Aug; 128:971-74.

2. Chaudhry I A, Shamsi FA, Elzaridi E, Al-Rashed W, Al-Amri A, Al-Anezi F, Arat Y O. Outcome of treated orbital cellulitis in a tertiary eye care center in the middle east. Ophthalmology. 2007 Feb; 114:345-54.

  1. Góis C R T, Pereira C U, D'Ávila J S, Melo V A. Complicações intracranianas das rinossinusites. Arquivos Internacionais de Otorrinolaringologia. 2005(9): Num 4.


1) Quais os sinais e sintomas que permitem o diagnóstico de rinossinusite? O caso em tela apresenta um achado de Rinossinusite Complicada, complicações essas, como: Orbitárias e Intracranianas. Os sinais e sintomas que estão incluídos neste diagnóstico são: Eritema em região periorbitária esquerda; Proptose ipsilateral; Edema de pálpebra superior; Sinais flogísticos no olho esquerdo; Rinorreia sanguinolenta esporádica; Secreção mucopurulenta no meato médio à esquerda (demonstrado pela Endoscopia Nasossinusal); Preenchimento dos Seios Maxilares e Etmoidais por densidade de partes moles (demonstrado pela Tomografia Computadorizada – TC)

2) Este conjunto de sinais e sintomas permite classificar o paciente como portador de um quadro agudo ou crônico?

Considerando as informações apresentadas, o quadro é classificado como Crônico, tendo em vista que à duração é maior que 12 semanas, presente com manifestações de complicações orbitárias e intracranianas, que em geral, ocorre em um processo crônico da doença.