Disfonia
- Problema na emissão da voz
Introdução
- Aparelho fonador: é complexo, composto desde as vias aéreas superiores ao trato aéreo superior até a região da fonação propriamente dita, a laringe ****

Produção da voz humana
- A voz é intrínseca ao ser humano, vai além da anatomia e da fisiologia: o que temos por trás da nossa voz?
- Diante de uma mesma imagem, as pessoas podem ter perspectivas distintas!
- Essa é simplesmente uma imagem de um casal admirando um lago ou um desenho de um bebê?

- Experiência anterior com estudos e clínica (expor e ouvir as vozes para identificar os ruídos) permitem que o médico cheguem a um diagnóstico de forma mais simples, especialmente no que diz respeito a uma análise perceptiva/auditiva da voz, buscando compreender os parâmetros vocais - a voz é multidimensional e multifatorial
- Voz = Pensamento → Emoção → Comportamento → resultado
- Consciente e inconsciente se manifestam com a voz, que diz muito sobre a personalidade e o comportamento da pessoa em relação a um contexto ou relação
- Comando neurolinguístico para a voz e para fala, a partir da vibração das cordas
- Muitas vezes o problema da voz é apenas um sintoma e não uma patologia em si, por ter um provável local de origem
- Respiração → Articulação de estruturas vocais
- Behlau, 2014 - Vocal Output 90% do que verbalizamos é invisível, mas algumas vezes se transparece para a voz (parte do iceberg submersa na água - tudo que está sendo elaborado dentro de alguém, seus sentimentos e emoções)
- Avaliação do fonoaudiólogo (análise perceptivo-auditiva) + Avaliação do otorrinolaringologista (avaliação visual - videolaringoscopia e videoestroboscopia)
- OBS.: Disfonia funcionais e organofuncionais - cunho muito grande do comportamento
- Se não trata o comportamento que está levando àquela alteração de voz, a adesão ao tratamento como um todo diminui, o problema persiste ou aumento da recidiva
- Sujeito que grita muito, faz abuso vocal pode cursar com nódulos - se não trabalha isso, pode haver reabsorção, mas sua recidiva vai ser alta
- Autoavaliação também é importante: como o paciente percebe a sua voz, a sua disfonia? Qual é a história dessa disfonia? Como a voz chegou até esse problema, como era a produção dessa voz?
- A partir da avaliação, a terapia será pensada e colocada em prática - tratamento individual
- Nem tudo é simplesmente orgânico, anatômico e fisiológico - comportamento tem papel importante nesse processo
- Teorias da fonação
- Teoria do caos;
- Teoria neurocronáxica;
- Teoria muco-ondulatória;
- Teoria mioelástica;
- Teoria mioelástica-aerodinâmica (mais utilizadas e referidas pelos médicos e fonoaudiólogos que trabalham com esses distúrbios)
- O funcionamento do sistema fonador resulta de uma interação entre o sistema respiratório, laringe, faringe, cavidade nasal e oral.
- A voz é o som gerado pelas vibrações das cordas vocais → o fluxo de ar pulmonar é primeiramente modificado pelas pregas vocais em vibração e depois pelo trato vocal e, às vezes, pela cavidade nasal - diferenciação da qualidade vocal
- As propriedades da voz dependem das características morfológicas e funcionais (forma como é utilizado) do aparelho fonador.
- Profissão determina a utilização do aparelho fonador - professores, cantores (influência do canto), entre outras
- Teoria Modelo Fonte-Filtro (mais utilizadas e referidas pelos médicos e fonoaudiólogos que trabalham com esses distúrbios)
- VOZ: manifestação do estado do ser, um comportamento sofisticado psicossomático
- Conversão de energia aerodinâmica em energia acústica: ar pulmonar é transformado pelas pregas vocais - fonação por meio da vibração das pregas vocais, a partir do efeito de Bernoulli.
- Esse som se modifica no filtro do trato vocal:
- Fonte: energia gerada pela vibração das cordas vocais - ar pulmonar que passa pelas pregas vocais, que as suga e leva a fonação pela vibração.
- Filtro: o som é modificado nas nossas cavidades (faringe, laringe, boca, dentes, língua, cabeça…), que formam o filtro. Nosso corpo trabalha para a formação da voz.

- Qualidade da Voz: sofre influência por ressonância (mais ou menos faríngea, mais equilibrada, mais posterior), pausas ou prolongamentos com alteração da velocidade (reposição mais rápida de ar, com aparecimento de disfluência), duração, volume, prosódia (ênfases, ritmo, melodia) e modulação da altura e frequência pelo trato vocal.
- Moduladas pela respiração, estiramento de laringe e de lábios.
- Configuração da laringe para os diversos tipos de voz:
- Modal: pregas vocais (epitélio, lâmina própria e músculos) não estão completamente relaxadas nem tensionadas
- Falsete: maior tensão das cordas vocais, que se encontram estendidas - sons extremamente agudos
- Fry/Creack: contração muito grande para formação de som mais grave possível
- Cochicho: fechamento da região anterior das pregas vocais - se tempo prolongado, pode levar a prejuízos (tanto quanto o grito)
- Funciona como terapêutica para fendas fusiformes anteriores

- Comunicação também se dá quando as cordas vocais não estão vibrando:
- Sons surdos/desvozeados
- Sons sonoros/vozeados: com ou sem vibração de cordas vocais
- ZZZZ: há formação de som pela vibração das cordas vocais
- SSSS (par mínimo do Z): som pela fricção de língua e dentes e faríngea, mesmo sem vibração de cordas vocais, com força no diafragma e na laringe → pode interferir na produção de som pela vibração.
- Fonação → processo fisiológico executado na laringe que depende de um equilíbrio entre respiração e deglutição.
- Da boca à laringe/gote temos um tubo: promove a ressonância - 17,5 cm de comprimento e 4 cm de diâmetro em repouso, com a participação de diversas cavidades (faringe, laringe, cavidade nasal e oral)
- Língua apoiada no chão da boca: uso da vogal A na avaliação sonora - vogal média oral, com menos interferência do trato vocal na qualidade do som das pregas vocais
- No inglês, usam o A do “Above”, também como vogal média oral
- Ressonância de 500, 1500 e 2500 do trato vocal - filtros permitem os harmônicos com qualidade da voz e formantes com projeção da voz
- Qualquer desajuste que ocorre nesses sistemas, pode levar a disfonias
- Na prática, quando entendemos o que o tubo fornece, ajudamos o paciente a lidar com as tensões laríngeas, como ocorre com cantores - trabalho com trato vocal, músculos zigomático, masseter, temporal que estão envolvidos na frequência de ressonância