- Osteomielite → inflamação do osso e da medula óssea.
O termo osteomielite, etimologicamente significa inflamação do osso e medula óssea e, atualmente, é empregado como sinônimo de infecção óssea.
- Vias de contaminação
- Pós-traumática → contaminação de ferida cirúrgica ou de uma fratura exposta (úlceras);
- Por contiguidade → disseminação para o osso de um foco infeccioso antigo adjacente (úlceras crônicas, pé diabético, celulite).
- Hematogênica → embolização de foco infeccioso à distância (mais comum em crianças).
- Epidemiologia
- Mais comum em crianças e adultos jovens e em homens;
- Fator de risco → imunossuprimidos (corticoterapia, quimioterapia, doenças debilitantes).
- 3-4 H : 1 M
- Acomete mais ossos longos → 60% dos casos acometem fêmur ou tíbia.
- Tem predileção por metáfises ósseas.
- Fisiopatologia
- A irrigação sanguínea dos ossos é feita por vasos epifisários, periosteais e por ramos da artéria nutriente.
- As artérias nutrientes penetram no córtex e vão até o canal medular, ramos arteriais atingem a metáfise próximo à placa de crescimento.
- Êmbolos sépticos de focos infecciosos distantes (VAS, orelha, pele), podem penetrar no sistema arterial ósseo e alojar-se na metáfise, favorecidos pela baixa velocidade sanguínea.
- O crescimento bacteriano se dá pela grande vascularização da área, levando a reação inflamatória local, trombose e abcesso intraósseo → mielite, quando o canal medular é alcançado.
- A infecção pode se disseminar em direção a superfície óssea por onde extravasa, descolando o periósteo → abcesso subperioesteal.
- A ruptura do periósteo necrosado promove infecção das partes moles adjacentes → músculos, tecido subcutâneo e pele → fístulas (superficilização da infecção).
- A placa de crescimento representa uma barreira a propagação da infecção em direção da epífise após os 18 meses de idade, por se tornar avascular.
- Antes dos 18 meses, os vasos metafisários podem cruzar a placa, podendo levar o pus para a cavidade articular → artrite séptica.
- A artrite séptica não tratada/resolvida também pode evoluir para osteomielite.
- Manifestações clínicas
- Dor local;
- Eritema;
- Edema;
- Febre;
- Alterações na cicatriz cirúrgica;
- Em crianças → náuseas, vômitos, desidratação, prostração e sepse.
Na celulite, os sintomas são mais brandos: consegue deambular, pode não ter febre, não tem hiperemia importante.
Por contiguidade pode gerar osteomielite! É importante manter o tratamento para evitar a infecção óssea associada.
Osteomielite: laboratório mais infeccioso, com maior comprometimento funcional, especialmente quando há fistulização. Geralmente o paciente não consegue deambular.
- Exames complementares
- Hemograma → leucocitose com desvio a direita;
- Marcadores inflamatórios → PCR, VHS, AAGP;
- Radiografia → pouco específico, muitas vezes não mostra achados.
- Aumento de partes moles;
- Sinais de periostite.
- TC e RNM → maior sensibilidade e especificidade.

- Classificação de Cierny
- I: comprometimento apenas ósseo
- II: acometimento predominantemente periférico
- III: acomete apenas um lado, podendo ser superficalizada
- IV: venceu compartimento - geralmente se apresenta com fístulas

- Tratamento
- LEMBRAR: 80% dos casos osteomielite hematogênica

- Microbiologia → Staphylococcus aureus representa 80% dos casos.
- RN – 2 m → S. aureus, Streptococcus beta-hemolítico do grupo B, Gram negativos.
- 2m – 3a → S. aureus, Haemophilus influenzae.
-
3a → S. aureus, Streptococcus spp.
- Tratamento empirico (4-6 semanas)
- RN – 2 m → penicilina semi-sintética + aminoglicosídeo.
- 2m – 3a → Cefuroxima.
-
3a → Cefalotina ou cefalexina ou penicilina semi-sintética.
- Duas semanas em IV e mais 2-4 semanas VO
- Tratamento cirúrgico
- Juntamente com as medidas gerais e antibioticoterapia, associa-se frequentemente o tratamento cirúrgico
- Indicação → sempre que se demonstra presença de pus.
- Nos casos em que clinicamente existe dúvida, lançar mão de punção
- Objetivo → drenagem do abcesso.
- Complicações
- Cronificação da infecção → ocorre em 30% dos casos.
- Complicação mais frequente!
- Artrite séptica secundária → quando ocorre em metáfises intra-articulares, como colo do fêmur e úmero.
- O mais comum é o contrário.
- Lesão da placa de crescimento, parcial ou total → deformidades do membro afetado.
- Malignização → osteossarcoma ou carcinoma epidermoide.