Você atende na sala de parto um recém-nascido com idade gestacional de 28 semanas. Após cuidados iniciais, como a criança apresentava importante desconforto respiratório e dessaturação de oxigênio, ela é transferida para a UTI neonatal lá permanecendo por 20 dias. Na alta hospitalar a criança passou pela avaliação auditiva que mostra-se alterada.
Baseando-se neste caso hipotético mas muito comum, discuta neste fórum:
Os fatores de risco para deficiência auditiva baseando-se nas recomendações do "Joint commitee on infant hearing"
As medicações potencialmente ototóxicas utilizadas na UTI neonatal.
Os exames audiológicos que podem ser solicitados para avaliação deste recém-nascido. As regiões anatômicas avaliadas por cada um deles e os possíveis resultados.
Uma vez confirmada a deficiência auditiva nesta criança os mecanismos de reabilitação auditiva empregados
1) Os fatores de risco para deficiência auditiva baseando-se nas recomendações do "Joint Committee on Infant Hearing":
Os fatores de risco para deficiência auditiva, no qual se baseia as recomendações do Joint Committee on Infant Hearing irão incluir o histórico familiar da perda auditiva, neste caso permanente, na infância, além disso, APGAR de 0 (zero) a 4 (quatro) no primeiro minuto, ou ainda, APGAR de 0 (zero) a 6 (seis) no quinto minuto, bem como, hiperbilirrubinemia grave, tendo estado em Unidade Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), uso de medicamentos ototóxicos, infecção por HIV e CMV (ambas sendo congênita), toxoplasmose, incompatibilidade sanguínea RH e ABO, ventilação mecânica por longos períodos, anomalias cranofaciais, e por fim, prematuridade. Há, todavia, que considerar que, síndrome genéticas podem estar associadas à deficiência auditiva, e podem ser fatores de risco para deficiência auditiva, tais quais, a síndrome Waardenburg, Alport e Pendred.
2) As medicações potencialmente ototóxicas utilizadas na UTI neonatal:
Dentre os medicamentos potencialmente ototóxicos, que são utilizados na UTI Neonatal, estão os Antibióticos Aminoglicosídeos, a mencionar a Gentamicina, Amicacina, Tobramicina e Estreptomicina, que são, geralmente, utilizados para tratamento de infecções bacterianas. Ainda, e não menos importante, a associação da Cefotaxima com Amicacina, irá apresentar grande risco, em relação a ototoxicidade, bem como, Diuréticos (exemplo, Furosemida, Ácido Etacrínico, Bumetanida e, Torasemida).
3) Os exames audiológicos que podem ser solicitados para avaliação deste recém-nascido, as regiões anatômicas avaliadas por cada um deles e os possíveis resultados:
Os principais exames adio lógicos a serem lançados mãos são: Emissões Otoacústicas Evocadas (EOAE), que avaliará a função das células ciliadas externas na cóclea, assim, avaliará a ausência ou presença de emissões, no primeiro caso, poderá indicar disfunção coclear; de igual modo, Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico (PEATE/BERA), que avaliará havia auditiva desde a cóclea até o tronco encefálico, neste caso, será responsável por identificar perdas auditivas em diferentes níveis, considerando a via auditiva; por fim, Impedanciometria, irá analisar a orelha média, que partirá da cadeia ossicular até o tímpano, esperando detectar até mesmo alterações como Otite Média.
4) Uma vez confirmada a deficiência auditiva nesta criança, os mecanismos de reabilitação auditiva empregados:
Uma vez confirmada deficiência auditiva no nesta criança, os principais meios de reabilitação, vão incluir o uso de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual (AASI), que serão indicados para perdas auditivas de leve a moderadas, responsáveis por amplificar os sons estimulando a via auditiva, todavia, quando aperta auditiva for considerada severa a profunda bilateralmente, a indicação poderá ser, o implante coclear, o qual estimulará diretamente o nervo auditivo, por meio de impulsos elétricos. Assim, a intervenção precoce, com um profissional de Fonoaudiologia será essencial para desenvolvimento da linguagem, bem como, da comunicação deste indivíduo, porém, não deixando de mencionar, que faz parte da reabilitação, o ensino da linguagem de sinal, no Brasil, a Língua Brasileira de Sinal (LIBRAS).